Melatonina: Suplemento alimentar ou hormônio?

Comentários: 0

A melatonina é um hormônio produzido pela glândula pineal (no cérebro) através da informação de “ausência de luz” no ambiente. Em contrapartida, a “presença de luz”, faz com que essa produção seja reduzida ou interrompida.

A melatonina tem o papel de sinalizar para o sistema nervoso central e para os nossos órgãos que a noite chegou, e desta forma, preparar o organismo para adormecer. Ela é a grande responsável por todas as mudanças fisiológicas do nosso corpo (sono, mudanças metabólicas, cardiovasculares, respiratórias, digestivas, endócrinas e imunológicas) sinalizando o período de repouso.

A melatonina produzida dentro do corpo é conhecida como endógena e a produzida sinteticamente em laboratório e comercializada como comprimido/cápsula é chamada de melatonina exógena. Por vezes, ela é vista como medicação ou suplemento alimentar, mas a melatonina é, na verdade, um hormônio produzido pelo nosso organismo e a melhor forma dela atuar é quando otimizamos a nossa própria produção.

A melatonina teve a comercialização liberada no Brasil em 2021 pela Anvisa. Ou seja, a substância é encontrada em farmácias e pode ser vendida sem a necessidade de prescrição médica. De acordo com a Anvisa, ela está liberada para pessoas com idade igual ou maior que 19 anos e para o consumo máximo diário de 0,21 mg. Porém, sabemos que a suplementação desse hormônio só deve ser realizada sob orientação médica.

Apesar ter sido aprovada pela Anvisa como suplemento alimentar, ela é um neuro-hormônio e deve ser indicada de maneira racional. No organismo humano, ela funcionará como um hormônio, com funções complexas e que devem ser rigorosamente controladas. Suplemento alimentar entra no gênero de aminoácidos, proteínas, vitaminas, sais minerais, por exemplo.

Por outro lado, sabemos que a melatonina pode melhorar o sono em certos casos, mas seu uso deve ser feito sob recomendação de um especialista, com ajuste de dose, horário e tempo de uso, além de acompanhamento clínico. Alguns pacientes com transtorno do espectro autista (TEA), pacientes com deficiência visual (ajuda a sincronizar o ritmo sono-vigília) e pacientes com distúrbio de ritmo circadiano (a liberação do hormônio ocorre fora do ritmo normal) podem ser beneficiados com a melatonina como tratamento. Já no caso da insônia, ela não tem indicação.

Quais os riscos de tomar melatonina sem prescrição ou em excesso?

O uso irregular da melatonina pode desajustar o ciclo circadiano da pessoa e até mesmo piorar o sono. Em altas doses e tomada sem orientação médica, pode causar efeitos indesejáveis: como sonolência diurna, tontura, dor de cabeça, náuseas. Também pode provocar pesadelos, fadiga, falta de concentração.

Criança pode tomar melatonina?

Sim, mas somente em condições clínicas que tenham indicação e somente sob orientação e acompanhamento médico. Orientamos que os pais evitem a administração do hormônio sem indicação de um profissional.

Fatores que podem reduzir a produção da melatonina:

  • Avançar da idade (com o passar dos anos produzimos menos melatonina)
  • Medicações (betabloqueadores)
  • Comorbidades (diabéticos e pessoas com obesidade produzem menos)

Dicas de como estimular a melatonina do próprio organismo?

  • Expor-se a luz solar durante o dia
  • Diminuir a intensidade da luz à noite
  • Evitar computador, celulares e tabletes duas horas antes de dormir

Medidas de higiene do sono que também podem ajudar na hora de dormir:

  • Definir horário regular para dormir e acordar
  • Criar uma rotina antes de ir para a cama
  • Utilizar o quarto para o descanso e evitar realizar outras atividades no mesmo ambiente, como trabalhar, comer, assistir TV.
  • Manter o quarto numa temperatura agradável, sem ruídos e sem luz.
  • Usar roupa confortável para dormir.
  • Fazer refeição leve próximo ao horário de dormir.
  • Evitar estímulos mentais, físicos ou luminosos, próximo ao horário de dormir.
  • Usar técnicas de relaxamento antes de dormir podem ajudar bastante.

Tenha uma boa noite e em caso de problemas com o sono procure um especialista.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Open chat
Agende sua consulta