Apesar dos benefícios e facilidades na rotina, o uso excessivo de telas ao longo do dia pode impactar no desenvolvimento infantil e afetar a qualidade do sono à noite. Ao assistir algo através da tela, estamos estimulando nosso cérebro de duas formas, através do conteúdo assistido e através da emissão de “luz”, gerando a informação de que estamos ativos e ele nos mantem nesse estado. Quando vamos dormir precisamos sinalizar justamente o inverso, precisamos desacelerar, reduzir estímulos e reduzir a exposição à luz, para que desta forma o cérebro entenda que estamos querendo descansar e possivelmente dormir, pois ele, diferente dos nossos aparelhos, não desliga automaticamente.
A luz presente nas telas de celulares, computadores, televisores e tablets contém luz de LED e emitem feixes de luz azul, responsável por inibir a produção da melatonina, o “hormônio do sono”. Dessa forma, a melatonina, que é naturalmente produzida ao anoitecer (quando estamos menos expostos à luz, ou até mesmo no escuro), não é produzida de forma suficiente e o cérebro não entende que estamos nos preparando para dormir.
O excesso de telas pode afetar o desenvolvimento cognitivo e social, interferindo na capacidade de aprendizado e na interação com outras pessoas, além de maior risco de ansiedade, depressão, isolamento social e um comportamento mais imediatista e ansioso.
A privação de sono provocada pelo uso de telas em excesso pode vir associada também à uma má qualidade deste sono, e além de afetar o desempenho escolar, a relação com os colegas da turma ou familiares em casa, também pode vir acompanhada de atraso na curva de crescimento dessas crianças e adolescentes, pois a produção do hormônio do crescimento (GH) ocorre justamente durante o sono profundo.
O Manual de Orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria orienta evitar a exposição de crianças menores de dois anos às telas, mesmo que passivamente; orienta também o limite de tempo de telas ao máximo de 1h ao dia para crianças entre 2 e 5 anos, máximo de 2h por dia para crianças entre 6 e 10 anos; 3h horas por dia e nunca “virar a noite” jogando para adolescentes entre 11 e 18 anos. Para todas as idades, orienta-se o uso de telas deve ser feito sempre com supervisão, não usar telas durante as refeições e desconectar uma a duas horas antes de dormir;
Como lidar com essa situação? Primeiramente conversar, estabelecer limites e adotar medidas de higiene do sono.
Algumas estratégias podem ajudar, como:
- Proporcionar momentos de lazer que não envolva tecnologia (como quebra-cabeças, jogos de tabuleiro e livros de colorir);
- Utilizar os recursos que aplicativos e celulares dispõem para desestimular o uso (alertas de limite de tempo e tela em tons de cinza) e desativar as notificações de aplicativos;
- Fazer atividade física durante o dia;
- Durante os momentos de estudo, fazer pausas longe do computador, celular, TV;
- Carregar o celular fora do quarto, para evitar usá-lo antes de dormir ou assim que acordar;
- Evitar uso celular na cama e reduzir estímulo luminoso pelo menos uma hora antes de deitar no quarto;
- Evitar fazer refeição muito próximo da hora de dormir;
- Organizar a rotina priorizando a quantidade suficientes e a qualidade do sono;
- Procurar um especialista de sono para ajudar em casos que não consegue obter melhora.
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